Bancos ampliam consenso por início do corte de juros em março, aponta nova leitura do mercado
As principais instituições financeiras do país reforçaram a avaliação de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de queda da taxa básica de juros já na reunião de março. A conclusão aparece em uma pesquisa recente com bancos e casas de análise, que indica maior convergência em torno de um cenário de flexibilização monetária.
O movimento reflete mudanças relevantes no ambiente macroeconômico, especialmente no comportamento da inflação e no ritmo da atividade econômica.
Inflação mais previsível muda o cenário
A desaceleração dos índices de preços tem sido o principal pilar para o aumento do otimismo do mercado. Indicadores recentes mostram arrefecimento das pressões inflacionárias, inclusive em núcleos considerados mais sensíveis à política monetária.
“A inflação está se comportando melhor do que o esperado, o que reduz o risco de um corte prematuro”, afirma o economista-chefe João Martins.
Além disso, as expectativas inflacionárias de médio e longo prazo permanecem relativamente ancoradas, fator considerado essencial pelo Banco Central.
Atividade econômica perde fôlego
Outro elemento destacado pelos bancos é a perda gradual de dinamismo da economia. Dados de crédito, consumo das famílias e produção industrial apontam desaceleração em setores-chave.
“Manter juros elevados por muito tempo pode aprofundar a desaceleração”, avalia a economista Camila Nogueira, especialista em política monetária.
Esse quadro aumenta a pressão para uma postura menos restritiva da autoridade monetária.
Comunicação do Banco Central é interpretada como sinal
Embora o Banco Central mantenha discurso cauteloso, analistas observam mudanças sutis na comunicação oficial, com maior ênfase na dependência dos dados e menor rigidez quanto ao momento do primeiro corte.
“O tom segue conservador, mas já não fecha completamente a porta para março”, afirma o ex-diretor do BC Roberto Almeida.
Conclusão
O reforço das apostas em queda dos juros em março sinaliza uma inflexão importante na percepção do mercado. Ainda assim, especialistas alertam que a decisão final dependerá da continuidade do processo desinflacionário e da estabilidade do cenário fiscal.
